O Ministério da Infraestrutura, de Tarcísio Freitas, reformou o aeroporto de São Luís mesmo sabendo que ele seria concedido por 30 anos. Foram gastos R$ 7,7 milhões com obras antes e depois da concessão para “ampliação” – prevista desde 2019.
Em 9 de abril, dois dias depois de o aeroporto ter sido leiloado, a Infraero comprava novas pontes de embarque por R$ 5,3 milhões. Antes disso, em janeiro, foi realizada concorrência para fazer reparos na pista de pouso ao custo de R$ 2,4 milhões.
As reformas não estavam previstas no edital do leilão.
O aeroporto de São Luís foi concedido em 7 de abril deste ano, junto com outros cinco empreendimentos. O chamado Bloco Central foi leiloado por R$ 754 milhões para o consórcio Companhia de Participações em Concessões, da CCR.
Foi nesse mesmo certame que o consórcio adquiriu o Bloco Sul. A empresa terminou o leilão com 15 dos 22 aeroportos concedidos, pagando R$ 2,8 bilhões dos R$ 3,3 bilhões recebidos pelo governo.
Um dos aeroportos concedidos no pregão foi o de Navegantes, em Santa Catarina. Conforme mostrou o Bastidor, o Ministério da Infraestrutura entregou uma reforma completa do empreendimento pouco tempo depois de tê-lo cedido à iniciativa privada.
Atualização às 19h34 de 27 de setembro de 2021: o Ministério da Infraestrutura afirmou em nota que “todo e qualquer investimento” feito antes das concessões “é precificado nos valores cobrados em outorga ou em novos investimentos a serem contratados”, permitindo assim uma “conta de soma zero”. A pasta disse ainda não haver “nenhuma relação entre gasto público e vantajosidade ao concessionário, uma vez que qualquer obrigação do concessionário segue mediante contrato firmado”.

