Dois empresários que negociaram vendas ao Ministério da Saude durante a pandemia disseram ao Bastidor, sob condição de anonimato, que Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística da pasta, indicava o banco BTG a eles para que os contratos pudessem ser firmados.
Roberto era o homem do centrão no Ministério da Saúde, como o Bastidor revelou em fevereiro, antes que ele assinasse os contratos de compra da Covaxin e Sputnik. Caiu hoje, após a segunda suspeita de corrupção na aquisição de vacinas. À Folha de S.Paulo, um intermediário disse que Roberto cobrou US$ 1 em propina por dose de imunizante.
Nas tratativas com os empresários, o então diretor de Logística disse que era necessário procurar o BTG para viabilizar os contratos com a pasta. Ele afirmou, em ocasiões diferentes, ainda em 2020, que o banco ajudaria a financiar as operações, de acordo com os relatos e evidências independentes corroboradas pela reportagem.
Tratava-se de compras internacionais de larga escala. Os empresários detinham cartas de crédito e outras garantias para avalizar as vendas. Ambos nunca haviam feito negócio no Ministério da Saúde.
Os dois ficaram sem entender a insistência na indicação do BTG. Um deles disse à reportagem que a “conversa era muito torta”. Ambos afirmam que desistiram das tratativas sem procurar o banco.
A reportagem não conseguiu contato com Roberto Ferreira Dias.

