Estrategistas do presidente Jair Bolsonaro estão convencidos de que será necessário sacrificar Ricardo Barros para evitar que o escândalo das vacinas se aproxime do grupo de Flávio Bolsonaro. Ainda esperam aval de Ciro Nogueira, presidente do PP.

Como previsto, o avançar da crise é irrefreável e devastador. A suspensão do contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, do lobista Max, para a compra da Covaxin é um ato necessário, mas insuficiente para amenizar o apetite por sangue em Brasília.

Hoje, Ricardo Barros, o líder do governo na Câmara, é o protagonista do caso, queira ou não. Cedo ou tarde, o acúmulo de denúncias custará a liderança na Câmara – e pode cobrar um preço bem mais caro do deputado, se ele não perceber a encrenca em que está metido.

Reservadamente, Barros nega as suspeitas e diz que a articulação no Congresso favoreceu tanto a Covaxin quanto a Sputnik – cuja compra ainda não foi esquadrinhada.

O ainda líder do governo sabe que a PF, o Ministério Público e a CPI trabalham com a hipótese de que Flávio Bolsonaro, por meio do advogado Willer Tomaz, participou da operação Covaxin.

O Planalto opera sob as mesmas premissas. E, para evitar que o caso chegue à família presidencial, arriscando detonar uma guerra civil entre centrão e Planalto, está disposto a queimar Barros da maneira mais eficiente possível.

Ou seja, de um modo que não destrua Barros nem o incentive a contar o que sabe acerca das compras das vacinas.