Antonio Romeu Scofano Junior, presidente da Unimed-Rio, primeira colocada na licitação para operar o plano de saúde de servidores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, é investigado pela Polícia Civil de São Paulo numa apuração sobre o desvio de 80 milhões de reais da Telefônica por meio de fraudes envolvendo justamente serviços médicos.
O esquema, segundo a polícia, ocorreu entre 2008 e 2014, e aumenta a resistência de funcionários do TJ do Rio sobre a escolha da operadora que vai administrar seus planos de saúde.
A licitação, de 500 milhões de reais, ainda está em andamento, em fase de análise de documentos. Prevê a gestão da saúde de 40 mil funcionários do Tribunal de Justiça.
De acordo com a investigação, que está em segredo de justiça, Scofano fazia parte de um esquema com ex-diretores e funcionários da Telefônica em que empresas de fachada simulavam serviços de saúde que nunca foram executados.
As faturas desses serviços fictícios eram reembolsadas pela Telefônica, que oferecia plano de saúde e descontos em medicamentos a seus funcionários.
Ao longo dos anos, segundo a Polícia Civil, o esquema desviou cerca de 80 milhões de reais da companhia. Em 2018, Scofano foi alvo de buscas. As investigações ainda estão em andamento.
“A investigação trata de fatos anteriores a 2014, e não existe qualquer acusação contra a minha pessoa”, respondeu Scofano por meio de sua assessoria, ao ser questionado pelo Bastidor sobre o caso.
A Unimed-Rio, a empresa que ele dirige atualmente, ofereceu uma proposta de 488 milhões de reais, um desconto de 18% em relação ao preço de referência da licitação. Mas a empresa passa por dificuldades financeiras.
Atualmente, a Unimed-Rio está sob direção fiscal da ANS, uma espécie de recuperação judicial dos planos de saúde.
Os problemas nas empresas que lideram a licitação geraram uma ação popular protocolada nessa semana. Na peça, funcionários do TJ do Rio afirmam que a corte não exigiu a apresentação de documentos de regularidade fiscal das empresas participantes – e que, no caso da Unimed-Rio, os débitos com a União chegam a 330 milhões de reais.
O Bastidor informou na terça-feira, 8, que, além da Unimed-Rio, a segunda colocada, a Vision Med (antiga Golden Cross), também está com problemas financeiros.
A ação popular aponta problemas com os demais colocados: a Vision Med (Golden Cross) tem um passivo fiscal, de acordo com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, de 5 bilhões de reais, dos quais quase 3 bilhões reais são passivos já inscritos na dívida ativa da União.
A terceira colocada, a Union Life, de acordo com a ação popular, tem o capital social abaixo do exigido na licitação. A Justiça não acolheu pedido de liminar feito pelos funcionários para suspender a licitação, mas segue na análise do mérito da ação popular.
Hoje, os planos de saúde dos servidores do TJ do Rio são aperados pela Amil.

