O TSE foi pego de surpresa na semana passada com a renúncia do então ministro substituto Carlos Velloso Filho, que alegou motivos pessoais para deixar a corte. A notícia antecipou os planos de muitos advogados que esperavam a vacância da cadeira apenas em 2023.
A disputa repentina será diferente das anteriores, Ocorrerá entre convocados, não candidatos, segundo uma fonte ouvida pelo Bastidor. Tanto que ministros do STF que não integram a corte eleitoral têm evitado se envolver, para deixar a escolha exclusivamente a Luiz Edson Fachin e a Alexandre de Moraes.
A mudança é resultado do contexto político envolvendo TSE, Jair Bolsonaro e as mentiras bolsonaristas divulgadas pelo presidente e por seus asseclas. Reuniões com advogados cotados para a vaga ocorreram na semana passada e continuarão a ser realizadas nos próximos dias. Fachin quer escolher o novo ministro até o começo de abril.
Dois nomes despontam como favoritos: Fabrício Medeiros e Flávio Pansieri. O primeiro tem apoio de Moraes – que presidirá o TSE durante as eleições deste ano – desde a lista tríplice que levou Velloso ao TSE pela primeira vez, em 2019. O segundo é querido por Fachin, atual presidente da corte, e já dirigiu a escola do TSE – o cargo é considerado um estágio para possíveis futuros ministros. Pesa contra este último o fato de advogar para Ricardo Barros.
Outro que também está na disputa é Gustavo Severo. É apoiado por Nunes Marques e Dias Toffoli. Só que a dupla de ministros, mais o apoio de Frederick Wassef, atrapalham as chances de Severo. Sugerem uma proximidade dele junto a Jair Bolsonaro – o que o advogado nega, ressaltando que nunca esteve presencialmente com o presidente.
Severo afirmou ao Bastidor que eventuais resistências fazem parte do processo de seleção e que a suposta proximidade com Bolsonaro resulta, provavelmente, do fato de advogar para Fábio Faria, assim como o faz para diversos partidos e candidatos – como Dilma Rousseff, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e Eduardo Braga, por exemplo.
Disse ainda estar honrado em ser lembrado para ocupar o cargo. “Nesse momento é preciso respeitar a liturgia e a tradição da lista como sempre foi feito, respeitando a posição dos Ministros do Supremo que integram o TSE”, complementou.
Também pesa contra Severo uma menção indireta na operação Pixuleco II, devido à sociedade que mantinha com Guilherme Gonçalves antes dos fatos. O advogado classifica essa conexão como um “erro fático”, pois já estava trabalhando sozinho em Brasília há mais de três anos quando essa investigação veio à tona, em 2015.
Procurados pelo Bastidor, Pansieri e Medeiros não responderam até a publicação desta notícia.

