A eleição que agita o Rio – e a turma do Rio que manda em Brasília – não é hoje. É amanhã, quando os desembargadores do Tribunal de Justiça do estado votam para eleger seu novo presidente.

Ao contrário da eleição para prefeito, em que aparecer e ter apoio é algo fundamental, da natureza do jogo, a eleição para a Presidência de um TJ, ainda mais um TJ como o do Rio, em ebulição por suspeitas de corrupção, faz-se discretamente, o mais longe possível do escrutínio da imprensa e da população.

A julgar pelo movimento recente de grupos internos de WhatsApp, o desembargador Henrique Figueira tem grandes chances de ganhar. Pesam os apoios do presidente do Supremo, Luiz Fux, e dos ministros do Superior Tribunal de Justiça que são do Rio. Também pesa o apoio discretíssimo de Luiz Zveiter, homem forte do Judiciário fluminense, apesar da sucessão de acusações de malfeitos.

Não há qualquer mácula no currículo do desembargador Henrique. Apesar disso, as forças políticas que sustentam sua candidatura têm interesse em que o TJ siga como sempre foi. Elas incluem o advogado e ex-deputado estadual João Pedro Figueira, irmão do desembargador, que tem entre seus clientes políticos e empresas ligadas ao ex-governador Garotinho.

O adversário do desembargador Henrique é o atual corregedor do TJ, Bernardo Garcez, que, como noticiamos, contrariou muitos desses interesses ao fiscalizar as lucrativas varas empresariais do Rio.