A divulgação dos depoimentos das testemunhas e pessoas investigadas na operação Tempus Veritatis, mostrou que o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, tentou reduzir seu papel na tentativa de golpe de 2022. Colocou em Jair Bolsonaro e em deputados do PL a responsabilidade pelas ações do partido.
Semanas depois da derrota para Lula, o PL apresentou um pedido de recontagem de votos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmando que Jair Bolsonaro teria saído vitorioso, caso fossem contabilizados apenas os votos das urnas produzidas a partir de 2020.
A tese, negada pelo TSE, era embasada em um estudo feito pelo Instituto Voto Legal (IVL), contratado pelo PL. Valdemar disse à Polícia Federal que pessoalmente não duvidava da integridade das urnas. Disse que a sugestão para contratar o IVL partiu do senador eleito Marcos Pontes (PL-SP).
Em sua versão, Valdemar apenas assinou a contratação, mas delegou o acompanhamento do processo ao presidente do partido em São Paulo. Conforme disse, até onde viu, não havia nenhum elemento contundente contra o resultado das urnas.
Valdemar também não deixou claro se conhecia o empresário Eder Balbino, dono de uma empresa que teria produzido um relatório que embasou as conclusões do IVL. Esse mesmo documento foi usado pelo argentino Fernando Cerimedo, em uma live que contestava o resultado das eleições no Brasil. À época, esse vídeo viralizou em grupos bolsonaristas.
Nesse ponto, houve uma contradição nos depoimentos. Valdemar afirmou que todo o contato entre ele e Balbino era intermediado pelo presidente do IVL, Carlos Rocha. Já Balbino afirmou que conversou algumas vezes diretamente com o presidente do PL, em ligações via WhatsApp.
Em termos práticos, Valdemar tentou se mostrar aos policiais como uma marionete, usada por Bolsonaro e pelos deputados bolsonaristas que queriam desqualificar as urnas eletrônicas.
Leia abaixo a íntegra do depoimento de Valdemar da Costa Neto:

