O Ministério Público do Trabalho ajuizou neste ano 66 ações civis públicas contra empresários que praticaram assédio eleitoral, ou seja, tentaram obrigar ou constrangeram funcionários a votar nos candidatos que defendiam nas eleições deste ano. Os dados consideram todas as ações abertas até sexta-feira (4).
Ao todo, o MPT recebeu 2.790 denúncias, contra 2.093 empresas. Essas situações estão sob investigação dos procuradores. Em 2018, foram registradas 212 denúncias. O número de denúncias cresceu 1.300% em quatro anos, um recorde.
A região Sudeste lidera o número de reclamações de funcionários, com 1.075 registros. Na sequência vem a região Sul, com 819 casos.
Até a última sexta-feira, o MPT já havia firmado 220 termos de ajustamento de conduta com as empresas investigadas. Entre os casos de assédio, há situações que aconteceram em instituições públicas.
Um deles, destacado pelo MPT, foi registrado em Campo Alegre, Alagoas. O prefeito, Nicolas Teixeira Tavares Pereira (PP), foi denunciado à Justiça por ter obrigado os funcionários e servidores comissionados da cidade a votar no candidato que ele defendia, sob pena de serem demitidos.
A Justiça do Trabalho proibiu, ainda antes do segundo turno, que o prefeito continuasse com as práticas de assédio. Também determinou multa de R$ 50 mil, acrescida de mais R$ 10 mil por cada trabalhador prejudicado.
Nos dois turnos das eleições, vazaram dezenas de vídeos de empresários de várias partes do país coagindo os funcionários a votarem nos candidatos que defendiam. Assim como em Campo Alegre, as ameaças geralmente eram de demissão a quem descumprisse a ordem.

