O Superior Tribunal de Justiça elegeu nesta terça-feira (23) seus dirigentes para o próximo biênio. Os ministros Herman Benjamin e Luís Felipe Salomão assumem os cargos de presidente e vice nos lugares de Maria Thereza de Assis Moura e Og Fernandes, respectivamente.

Esta foi a última eleição por aclamação no STJ: a partir de 2026, será computado cada voto, como manda o regimento. A mudança foi proposta pelo ministro João Otávio Noronha, representando a insatisfação de alguns ministros com o modelo praticado até então.

O alvo da mudança é Salomão. O ministro tem se desgastado no Judiciário. Suas ações na tentativa frustrada de se viabilizar como candidato ao Supremo Tribunal Federal deixaram muitas mágoas, inclusive entre aliados; alguns se sentem abandonados.

A resistência não vem de agora. Nas últimas quatro vagas em disputa no STJ, Salomão só não conseguiu emplacar seu candidato em uma. Seu último sucesso foi Messod Azulay.

Como corregedor Nacional de Justiça, Salomão também comprou muitas brigas – em seu nome e de seus aliados no Judiciário. A última foi tentar afastar das funções os juízes Gabriela Hardt e Danilo Pereira, além dos desembargadores Loraci Flores de Lima e Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, todos ligados à Lava Jato.

Salomão conseguiu metade do que queria, mas foi bastante criticado dentro e fora do Conselho Nacional de Justiça. O presidente do CNJ, ministro Roberto Barroso, classificou a decisão de Salomão de “arbitrária” e “ilegítima”.

Todo esse contexto, mais a possibilidade de Salomão ser o próximo presidente do STJ, constrangem alguns ministros contrários ao atual vice-presidente da corte.