Lula e a J&F estão de olho na Bolívia. O presidente da República passou quase 24 horas no país vizinho, para onde foi após o encontro entre os líderes do Mercosul. Lá, conversou com autoridades, empresários e movimentos sociais bolivianos.
A visita, que coroou o ingresso da Bolívia no Mercosul, foi concomitante ao anúncio, pela Fluxus, de investimentos de 100 milhões de dólares no país vizinho. A empresa quer aumentar a produção de três campos de gás até 2028.
Adquirida pelo conglomerado J&F em dezembro de 2023, a Fluxus quer sair dos atuais 100 mil metros cúbicos para 1,1 milhão de metros cúbicos. Aportes em novas fontes de extração não são descartados.
O setor de energia é uma das principais apostas da holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Outra frente é a Âmbar, companhia com 4 bilhões em ativos ligados a termoelétricas e gasodutos.
A empresa foi beneficiada no mês passado por uma Medida Provisória, editada dois dias depois de fechar um acordo com a Eletrobrás para comprar usinas no Amazonas.
A MP criou condições para manter a sustentabilidade da Amazonas Energia, principal compradora da energia produzida pelas usinas que eram da Eletrobrás e agora pertencem à Ambar, da J&F.
O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou como coincidência a sucessão de fatos que favoreceu os irmãos Batista. Só não contou que executivos da holding visitaram o ministério que comanda em 17 ocasiões.
O Bastidor já mostrou que a J&F consegue tudo o que quer desde o retorno de Lula ao Palácio do Planalto. Segundo um ministro, o presidente deveria ter mais cuidado com essa relação, que se mostrou danosa num passado recente.

