O cenário eleitoral chegou à Polícia Federal. Após o desgaste de um reajuste salarial que não se concretizou e com as pesquisas eleitorais com Lula à frente, o apoio a Jair Bolsonaro na corporação apresenta sinais de rachadura. A pressão gerada pelo caso Milton Ribeiro é sintoma de uma nova tendência na corporação.

Após a prisão do ex-ministro e de dois pastores suspeitos de desvios de recursos públicos da Educação, o delegado Bruno Calandrini reclamou publicamente de interferências em sua investigação.

O descontentamento dos policiais vai muito além de Bolsonaro e não começou agora. Vem desde 2020, com as interferências diretas do presidente na nomeação de delegados, prática fora dos padrões.

Passa também pelo fato de o governo ter dificultado o combate aos crimes do colarinho branco, ao direcionar esforços e dinheiro para o enfrentamento ao tráfico e outros crimes que passam, mesmo que minimamente, mais longe da política, como o Bastidormostrou.

Com o presidente em dificuldades para se reeleger, parte da PF começa a olhar para o futuro. A chefia é integrada por policiais que serão cobrados num futuro próximo pelos fatos dos últimos três anos. De acordo com essas fontes, ninguém vai querer ser responsabilizado por falta de atuação quando os ventos mudarem e os padrinhos políticos sumirem.