Um grupo de ministros do Supremo Tribunal Federal está descontente com o que considera uso desmedido de videoconferências por colegas. Eles acham que o recurso deveria ser usado em casos excepcionais e que, como é feito hoje, se torna um desrespeito institucional.
Como no mundo todo, o Supremo passou a fazer reuniões e julgamentos por videoconferência durante a pandemia. O trabalho presencial, no entanto, foi retomado com mais frequência este ano, com o arrefecimento das infecções por covid-19.
Alguns integrantes do Supremo se tornaram entusiastas do recurso tecnológico. O ministro Dias Toffoli é um dos que não economiza nas videoconferências. Apesar de recentemente ter voltado a participar mais de julgamentos e eventos presenciais, o ministro continua votando à distância com frequência – isso mesmo depois de colegas com mais idade terem voltado ao plenário.
Na quinta-feira (18), Toffoli acompanhou virtualmente a última sessão do STF que discutiu as mudanças e o alcance da lei de improbidade administrativa – assim como Kassio Nunes Marques, que também havia votado no dia anterior.
Toffoli deixou o julgamento antes de a tese jurídica ser votada: informou o presidente, Luiz Fux, que acompanharia o que fosse decidido.
A digitalização tomou conta dos julgamentos não só no Supremo. Assim como na mais alta corte, a prática causa embaraços e produz descontentes.
Um advogado contou ao Bastidor, sob reserva, que se deslocou a Brasília para uma audiência presencial com um ministro do Superior Tribunal de Justiça. Ao chegar ao STJ, o entanto, foi encaminhado a uma sala, de onde teve de conversar com o ministro por videoconferência.
Além dos superiores, muitos tribunais ainda ainda resistem à retomada do trabalho presencial.

