A atuação do procurador-geral da República, Augusto Aras, no Tribunal Superior Eleitoral na presidência de Alexandre de Moraes tem tudo para ser complicada. Aras e Moraes não se bicam. E Aras não tem um reserva para recorrer em momentos delicados, como no Supremo Tribunal Federal.
Nos últimos meses, Aras tem recorrido à vice-procuradora-geral, Lindôra Araújo, para atuar em temas espinhosos. A estratégia funciona porque Lindôra é bolsonarista e quer substituir Aras no ano que vem. O revezamento reduz o desgaste que já é grande entre Aras e os ministros.
Mas o cenário é diferente no TSE. Lá, Aras também atua como procurador-geral eleitoral, mas seu vice-procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco, tem perfil bem diferente de Lindôra. O jogo combinado será mais difícil.
Apesar de conservador, a aderência de Gonet ao bolsonarismo é pontual. Ao contrário da colega, ele é considerado diplomático, tanto que cultiva boas relações com ministros do Supremo, inclusive Moraes.
Outra diferença são os objetivos. Gonet tem aspirações mais brandas do que as de Lindôra para sua carreira, tanto que muitos duvidaram que ele aceitaria o cargo que ocupa.
Gonet prefere o meio acadêmico ao político-jurídico, que impregna a Procuradoria-Geral da República e é essencial para atingir o cargo máximo da categoria.
Procuradores e promotores de Justiça ouvidos pelo Bastidor acreditam que a atuação de Gonet será estritamente técnica. Um dos exemplos citados sobre sua forma de atuar foi a representação contra a reunião convocada pelo governo para Jair Bolsonaro mentir sobre o processo eleitoral a embaixadores. Apesar de óbvio que Bolsonaro seria candidato a reeleição, Gonet esperou pelo registro formal da candidatura para apresentar a representação.

