Ao suspender ontem – sozinho – o caso das rachadinhas de Flávio Bolsonaro, João Otávio de Noronha também impôs sigilo ao processo. O ministro do STJ argumentou que o segredo é necessário para preservar os dados bancários e fiscais dos investigados.

O pedido de suspensão foi apresentado por Fabrício Queiroz depois que a desembargadora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo, do TJ do Rio, acatou pedido do MP fluminense para dar continuidade à ação e retirar alguns documentos do processo.

O pedido foi feito pelos promotores depois que a 5ª Turma do STJ decidiu que a investigação sobre as “rachadinhas” no gabinete de Flavio tinha algumas nulidades em razão da maneira com que algumas provas foram colhidas.

Para Noronha, a decisão da desembargadora mereceu ser suspensa para evitar o surgimento de “maiores obstáculos” ao “desenvolvimento sadio” da invetigação e impedir “novas nulidades que conturbarão ainda mais um cenário por demais complexo”.

Noronha é querido pela família Bolsonaro. O presidente já chegou a dizer, sobre ele, que foi “amor à primeira vista”. O ministro também tem interesses que dependem de uma boa relação com o Planalto: uma (improvável) cadeira no Supremo, o poder de indicar aliados nas vagas abertas no STJ e dinheiro para as obras do TRF-6 em Minas Gerais.