Lula demonstrou a aliados estar insatisfeito com as opções para a sucessão na Procuradoria-Geral da República. Não gostou dos subprocuradores Paulo Gonet (indicação de Gilmar Mendes), Luiz Augusto Santos Lima (apadrinhado por empresários) e mesmo de Antônio Carlos Bigonha (nome preferido do PT). 

Ao menos nas palavras, sobrou gracejo para Bigonha, chamado jocosamente de “aquele rapaz pianista” por Lula. Bigonha tem carreira como músico. Toca piano. O presidente reclamou com pessoas próximas sobre a indicação do PT. Diz que esperava uma opção melhor. Ademais, disse Lula, Gilmar Mendes vetou o “pianista”. Como o Bastidor informou, a participação do ministro do Supremo na condução da PGR é estratégica para o presidente.

A insatisfação de Lula, segundo aliados, parece ser verdadeira. Não se trata de mero estratagema para proteger um nome que ele prefira. Diante das poucas possibilidades disponíveis, isso não significa que Lula optará forçosamente por um nome surpresa. Pode acabar escolhendo um PGR pelo qual não tenha lá grande simpatia ou confiança. Por isso os padrinhos das candidaturas tentam, agora, desfazer a má impressão inicial do presidente.

Lula indica querer um nome como Augusto Aras – mas Aras, por definição, só existe um. Apesar dos passivos pela ligação com Jair Bolsonaro, aliados de Lula acreditam que uma nova recondução de Aras passou de improvável para possível. Nos últimos dias, nenhum deles tem coragem de apostar contra o atual PGR.