O governo do presidente Jair Bolsonaro suspendeu o contrato de US$ 300 milhões para a compra da vacina indiana Covaxin. A decisão foi divulgada hoje, terça-feira 29 de junho, pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, alegando orientação da Controladoria-Geral da União (CGU), chefiada pelo ministro Wagner Rosário. 

A compra da Covaxin foi um contraste com a demora e as dificuldades que a americana Pfizer teve ao tentar vender sua vacina ao governo brasileiro em 2020. Na sexta-feira 25 de junho, o deputado bolsonarista Luís Miranda foi à CPI da Pandemia com seu irmão servidor do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, revelar pressões para apressar a importação do imunizante indiano.

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, foi citado por Miranda como um dos que pressionaram os técnicos do Ministério da Saúde. Barros já tinha deixado claro que a Anvisa tinha de liberar rapidamente as vacinas Covaxin, produzida pela empresa indiana Bharat Biotech, e a Sputnik V, do russo Instituto Gamaleya.

Miranda também revelou aos senadores da CPI que alertou Bolsonaro sobre suas graves suspeitas em 20 de março, quando foi recebido no Palácio da Alvorada.

Ontem, segunda-feira 28 de junho, três senadores levaram ao presidente do STF notícia-crime contra Bolsonaro por prevaricação, crime cometido por agente público que se omite de obrigação legal. O pedido foi distribuído à ministra Rosa Weber.