Augusto Aras tirou esta quarta-feira, 26, para tratar de um assunto mais importante que as investigações que pesam contra políticos de alto escalão em Brasília. Em vez de trabalhar, preferiu produzir uma nota para atacar a ONG Transparência Internacional, que criticou a postura do procurador-geral da República. A entidade pediu que ele se afaste de Jair Bolsonaro.

No documento divulgado à imprensa, Aras afirma que não tem “alinhamento sistemático” com o presidente, “mas sim um trabalho que respeita a Constituição, as leis, o devido processo legal e não pratica a exploração midiática de casos em apuração”.

No levantamento da Transparência Internacional, o Brasil marcou apenas 38 pontos, em 100 possíveis e ocupou a 96ª posição como país mais corrupto do mundo, em uma lista de 180 nações.

Entre os itens que ajudaram para baixar a nota, segundo a ONG, está a proximidade de Aras com Bolsonaro. O grupo também criticou a iniciativa do PGR de dar fim às forças-tarefas de operações como a Lava Jato e a Greenfield e trocá-las pela implementação de Gaecos federais.

Aras afirma que em 2021 foram apresentadas na PGR 20 denúncias por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Também foram denunciadas 139 pessoas e abertos 108 inquéritos. Ele também destaca o fechamento de 17 acordos de delação.

Para o PGR, “Insistir em argumentos ultrapassados e que sabidamente não encontram lastro na realidade revela-se um desserviço à população e, no caso específico, pode esconder um desvirtuamento do trabalho de entidade que traz, no próprio nome, o que deveria ser um compromisso: a transparência”.

O procurador-geral também destaca que o Ministério Público Federal, sob a gestão dele, pediu que a Corregedoria Nacional do Ministério Público analisasse pedido para destinar R$ 2,3 bilhões à Transparência Internacional, para que a entidade possa manter o acompanhamento de ações voltadas ao combate à corrupção. O dinheiro é parte do acordo de leniência firmado entre a J&F e autoridades brasileiras. 

“Pelos fatos acima, o procurador-geral repudia essa nova tentativa irresponsável da ONG de atribuir a ele um resultado que apresenta alto grau de subjetividade, visto que trata de percepção, e reitera o compromisso de respeito às leis e ao devido processo legal no exercício do mandato que é de natureza jurídica, e não de viés político, disse Aras na nota.