As investigações da Polícia Federal sobre as suspeitas de venda de sentença no Tribunal Regional Federal da Primeira Região, como contou o Bastidor, estão indo além da atuação do advogado Ravik Bello Ribeiro, principal suspeito do esquema. Ao lado do pai, o agora ex-desembargador do TRF1 Cândido Ribeiro, Ravik é suspeito de vender uma decisão judicial a um traficante internacional de drogas. A investigação corre sob segredo no Superior Tribunal de Justiça.

O Bastidor adiantou que a PF está esquadrinhando as relações de Ravik no TRF1. Além de ser filho de Cândido Ribeiro, Ravik é sobrinho do desembargador Ney Bello, também do TRF1. Daniella Bello Ribeiro, mãe de Ravik, é assessora de outro desembargador do TRF1: Carlos Augusto Brandão. Um dos principais parceiros comerciais de Ravik é o desembargador aposentado – também do TRF1 – Fernando Tourinho Neto.

A ampla teia de relações familiares e comerciais desse grupo envolve outro personagem: o advogado Bruno Bittar, de 45 anos. Ele é parceiro de Tourinho Neto e também goza de excelentes relações no TRF1. O desembargador aposentado aparece com destaque no site do escritório de Bittar, embora não seja sócio formal da banca. É mais uma das parcerias que Tourinho Neto mantém com advogados jovens e bem relacionados.

Bittar começou seu escritório ao lado do advogado Ricardo Fenelon Júnior, genro do ex-senador Eunício Oliveira, ainda em 2013. No ano seguinte, Fenelon deixou a sociedade. Em 2015, descolou uma vaga como diretor da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac. Bittar e seus sócios passaram a ganhar espaço no TRF1, sobretudo em casos do setor de infraestrutura.

A ascensão do escritório de Bittar coincidiu com a parceria com Tourinho Neto. Passaram a representar cada vez mais clientes junto ao TRF1. A lista de clientes da dupla é longa. Inclui grandes empresas do setor de energia com problemas junto à Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel. Os dois são conhecidos no mercado pela atuação no TRF1.

Diante das provas já encontradas no caso de Ravik e Cândido Ribeiro, a PF tenta descobrir qual a razão do sucesso da dupla Bittar e Tourinho Neto no mesmo TRF1.