Além de enrolar para comprar a vacina da Pfizer destinada a crianças, o Ministério da Saúde distorceu o teor da consulta pública publicada hoje para discutir um assunto inexistente.

No texto da consulta, a pasta afirma que a “vacinação contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos de idade” foi “autorizada pela ANVISA”. Na verdade, a Anvisa apenas autorizou o uso da vacina da Pfizer para crianças entre 5 e 11 anos, em dose apropriada à idade. Atestou a segurança, a qualidade e a eficácia do imunizante para esse público, a exemplo de outras agências sanitária de ponta.

Cabe ao Ministério da Saúde a política de vacinação – de qualquer vacina, aliás. Vale para qualquer campanha de vacinação. É a pasta que determina a inclusão ou a exclusão de algum imunizante.

Atacada pelo governo, em especial por Jair Bolsonaro, a Anvisa pediu ao Ministério da Saúde que corrija o texto da consulta pública.

A consulta, que vai até 2 de janeiro, foi uma saída encontrada por Marcelo Queiroga para atrasar a inevitável decisão de comprar vacinas para crianças. O ministro tenta agradar Bolsonaro. O presidente e seus aliados importaram dos Estados Unidos o discurso extremista anti-vacina infantil.

Nos últimos dias, a comunidade científica atestou o óbvio: a vacina é necessária para salvar vidas.

A negligência do governo não foi questionada pelo Ministério Público Federal. Se a questão for ao plenário do Supremo, há maioria para obrigar o governo a incluir imediatamente a vacina infantil da Pfizer no Plano Nacional de Imunização.