O general Walter Souza Braga Netto, ex-candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, em 2022, contrariou o que disse o tenente-coronel Mauro Cid, o único delator entre os réus. Braga Netto foi o último a depor nesta terça-feira (10) à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.

Braga Netto negou ter angariado ou repassado dinheiro para financiar as ações dos manifestantes que estavam acampados na frente do quartel-general do Exército. Foi dali que, no dia 8 de janeiro, partiu a multidão que quebrou o palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

“Eu não tinha contato com empresários, então não pedi dinheiro e não entreguei dinheiro para ninguém”, afirmou, contrariando a versão do tenente-coronel Mauro Cid. Segundo Cid, Braga Netto lhe entregou 100 mil reais em uma caixa de vinho para serem repassados a militares que, segundo a investigação, faziam a ligação com os organizadores do acampamento.

Braga Netto também negou a autoria de mensagens encontradas em seu celular, que indicavam articulações para ajudar a organizar a tentativa de golpe militar.

Por ser o único réu que está preso preventivamente, o general foi ouvido por videoconferência. Ele negou qualquer tipo de articulação golpista, apesar de as investigações apontarem que uma das reuniões contra o resultado das eleições de 2022 foi realizadas em sua casa, em Brasília.

“Eu sou um democrata. Nunca participaria de um plano desses”, afirmou ao responder ao próprio advogado. Braga Netto disse que nunca tratou sobre questões relacionadas a um golpe com Bolsonaro. “Nunca ouvi falar em intervenção militar. Essa palavra ‘golpe’, eu só vi na mídia”, disse.

Além dos advogados de defesa, apenas os ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fizeram perguntas ao general. Embora pudessem, os demais defensores não se manifestaram, nem mesmo os advogados de Cid, que foi contrariado.

Ao final da sessão, Moraes revogou a medida cautelar que impedia a comunicação entre os réus e intimou as partes para que apresentem as considerações finais do processo, o que deve acelerar o julgamento.

Apesar da “benesse” aos réus que estão soltos, ele manteve a prisão de Braga Netto. Ele está detido desde dezembro do ano passado, sob suspeita de tentar obstruir as investigações.