O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou a Polícia Federal ouvir o advogado Paulo Amador Cunha Bueno e o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten. Os dois são acusados de tentar interferir na delação do tenente-coronel Mauro Cid, réu na trama golpista de 2022 para manter Jair Bolsonaro no poder.

A defesa de Cid apresentou ao STF declarações da esposa, da filha e da mãe dele, que relataram terem sido abordadas pelos advogados para tentar influenciar em sua delação.

A decisão diz que Luiz Eduardo Kuntz, advogado do coronel Marcelo Câmara, enviou mensagens à filha de 14 anos de Cid pelo WhatsApp, para saber detalhes do acordo de delação. Em uma delas, sugeriu encontros com Cid em lugares “seguros e confortáveis”. Em outra, sugeriu que ela limpasse o celular, para evitar registros. O celular da adolescente foi entregue à PF, com autorização para análise.

Wajngarten também tentou contatar Cid por meio da filha adolescente e da esposa. Já a mãe do militar foi abordada por Kuntz e Paulo Bueno em um evento na Hípica de São Paulo. Os dois teriam insistido para que ela convencesse o filho a trocar de advogados.

Para Moraes, há indícios de obstrução de Justiça. Ele mandou a PF colher os depoimentos em até cinco dias. Também determinou a conclusão da perícia no celular da filha de Cid.

A decisão foi tomada dias após a prisão de Marcelo Câmara. O ministro também mandou investigar Kuntz, que entregou ao STF mensagens atribuídas a um perfil no Instagram que ele diz ter sido usado por Cid. O militar nega ser o autor das conversas.

A Meta, dona do Instagram, informou que o perfil manteve contato com Kuntz e com Paulo Bueno.

Além de Câmara, o general Braga Netto também está preso por tentar saber detalhes da delação de Mauro Cid.