O desembargador Ivo de Almeida é suspeito de ter recebido 1 milhão de reais em propina para favorecer um traficante amigo de Fernandinho Beira-mar, chefe do Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do país. A conclusão consta em um relatório da Procuradoria-Geral da República (PGR), divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o documento, o desembargador recebeu o dinheiro com o objetivo de facilitar a transferência de Romildo Queiroz Hosi, traficante preso pela primeira vez em abril de 2002. À época, ele estava com 450 kg de cocaína, em um caminhão. Entretanto, não chegou a cumprir pena, pois fugiu depois de uma audiência no Fórum de Campo Grande. Policiais teriam recebido outro 1 milhão de reais para ajudá-lo.

Em 2019, Hosi voltou a ser detido. Nessa época, as penas contra ele já somavam 39 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, entre outros. Dois anos depois, seguia preso na cidade de Avaré, no interior de São Paulo, onde tentou aliciar o desembargador para conseguir a transferência a um presídio de Mato Grosso, onde a fuga poderia ser mais fácil.

O relatório da PGR aponta que, para conseguir o benefício, Ivo de Almeida teria que convencer os demais colegas da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. Entretanto, um dos membros recusou a oferta de dinheiro para beneficiar Hosi. Assim, a transferência não foi completada.

Ivo de Almeida segue afastado das funções por um ano, por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso contra ele também foi parar na Corregedoria-Nacional de Justiça, que abriu uma reclamação disciplinar, a qual pode terminar com a aposentadoria compulsória do magistrado. Apesar das suspeitas, ele responde ao processo em liberdade.