A Justiça de São Paulo atendeu ao pedido de recuperação judicial da Intercement, uma das maiores fabricantes de cimento do país. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (5) pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital. A recuperação inclui a Mover Participações, braço da Mover (antiga Camargo Correa), controladora da Intercement.

A administradora judicial selecionada pelo juiz foi a Deloitte, que auditou as contas da Intercement pelo menos de 2013 até 2018, (veja aqui, aqui e aqui), e da Camargo Correa (veja aqui). A empresa de auditoria também atuou numa emissão de debêntures feita pela empreiteira em 2008 (veja aqui).

A escolha da Deloitte para administrar a recuperação judicial traz consigo um possível conflito de interesses, pois a auditoria vai gerir diretamente contas que fiscalizou e chancelou tempos atrás.

Ao todo, a recuperação judicial abrangerá nove empresas: Intercement Brasil, Intercement Participações, Intercement Trading e Inversiones, Intercement Trading e Inversiones Argentina, Intercement Financial Operations, Mover Participações, Sucea Participações e Sincro Participações.

O pedido foi apresentado na terça-feira (3), após emperrarem as negociações de venda da empresa para a CSN. Segundo o grupo, as dívidas de 14,2 bilhões de reais são resultado do cenário adverso vivido pelo setor de construção desde 2015 e das aquisições feitas pelo grupo às vésperas do início dessa crise.

Em 2012, a Intercement comprou o controle da cimenteira portuguesa Cimpor e emitiu 1,5 bilhão de reais em debêntures. Oito anos depois, a companhia brasileira liberou ao mercado mais desse títulos. Essa segunda emissão, que terminou em 2021, totalizou 4,7 bilhões de reais. O pagamento desses quase 5 bilhões de reais começou em junho de 2023 e vai até o mesmo mês de 2027.

A antiga Camargo Correa, atual Grupo Mover, foi uma das mais afetadas pela operação Lava Jato, que descobriu um cartel e um esquema de pagamento de propina a políticos mantido por diversas empreiteiras.