A Procuradoria-Geral da República apresentou ontem (16) as primeiras denúncias contra golpistas que destruíram a Praça dos Três Poderes no dia 8. O responsável é o subprocurador Carlos Frederico Santos. A agilidade da resposta e o volume do trabalho destoam do que foi feito por Augusto Aras desde que assumiu a chefia da PGR.

O motivo é a pressão do governo e do Senado sobre Aras. Fontes da PGR afirmaram ao Bastidor que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, apertaram o procurador-geral da República. O resumo da conversa: trabalhe ou terá problemas.

Essa não é a primeira ameaça sofrida por Aras na PGR. Após o fim da CPI da Pandemia, o procurador-geral ouviu de alguns senadores que integraram a comissão, que as denúncias deveriam andar ou, caso contrário, ele sofreria um processo de impeachment no Senado. Aras nada fez e nada lhe aconteceu.

O procurador-geral tentou jogar parado novamente após o golpismo do dia 8: demorou para se manifestar e só o fez após ser cobrado. Agora, parece que o “conselho” surtiu efeito. A diferença nos dois casos é que as ameaças partiram de aliados; Wagner é próximo do pai de Aras e Rui Costa tem contato direto com o procurador desde que governou a Bahia.