Os advogados de defesa dos 11 militares acusados de participar das articulações golpistas em 2022 chamaram de “conversa de bar” a reunião na qual coronéis do Exército combinaram uma forma de pressionar generais a aderir à intentona. Eles tentam salvar seus clientes no julgamento do núcleo estratégico do golpe, conduzido nesta terça-feira (20) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), a reunião que ocorreu na casa do general Walter Souza Braga Netto, ex-candidato a vice-presidente, foi o estopim das articulações que culminariam num plano para matar o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, o vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A existência da reunião foi contada em depoimento pelo tenente-coronel Mauro Cid, que fez acordo de delação premiada. Participaram do encontro militares das Forças Especiais do Exército, conhecidos no meio militar como “kids pretos”.

Em suas sustentações orais, os advogados afirmaram aos ministros do Supremo que o encontro foi apenas uma conversa informal e que a carta dos coronéis para pressionar os generais a aderir ao golpe foi divulgada durante a manhã daquele dia, antes da reunião. Por esta cronologia, os kids pretos que estiveram na casa de Braga Netto não poderiam ter participado da elaboração do documento.