A Controladoria-Geral da União (CGU) confirmou ter solicitado ao Supremo Tribunal Federal (STF) o compartilhamento de provas dos inquéritos relacionados aos atos golpistas do dia 8 de janeiro. O objetivo é apurar a participação de servidores públicos federais nas manifestações. A investigação deve seguir sob sigilo.

O compartilhamento das provas foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Além dos inquéritos dos atos golpistas, o magistrado determinou que sejam encaminhadas cópias dos inquéritos das milícias digitais e do vazamento de dados sigilosos da Polícia Federal sobre as urnas eletrônicas.

Este último é relacionado a um vídeo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) aparecem levantando hipóteses de fraudes nas eleições sem provas. A Polícia Federal chegou a apontar que houve crime dos dois na divulgação do vídeo, mas deixou de indiciá-los.

Também estão na lista de documentos compartilhados por Moraes os inquéritos que apuram a adulteração nos cartões de vacina de Bolsonaro, caso que a CGU já apontou ter encontrado irregularidades, o caso das jóias da Arábia Saudita entregues ao ex-presidente e a investigação sobre o uso irregular da Abin para monitoramento de jornalistas, políticos e outras figuras consideradas oposicionistas ao governo passado.

O inquérito das fake news, um dos mais polêmicos em tramitação no STF, é outro que deve ser repassado à CGU. Nesse caso, porém, só serão compartilhadas as provas públicas com diligências já realizadas. O único documento negado por Moraes foi o acesso à delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, pois ainda faltam diligências a serem cumpridas.

A CGU deverá analisar todos esses documentos para avaliar a possibilidade de punições administrativas aos envolvidos. As penas podem ir desde o pagamento de multas até a eventual demissão do serviço público.

O acesso a esses documentos também pode municiar o PT contra a oposição bolsonarista. Isso porque um eventual vazamento desses materiais deve encher os governistas de munição contra os adversários políticos.

Leia a íntegra da decisão de Moraes: