A Metha S.A., atual nome da OAS, solicitou ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o acesso à íntegra das mensagens apreendidas pela Polícia Federal, na operação Spoofing, que investiga a suspeita de conluio entre procuradores da operação Lava Jato, com o então juiz Sergio Moro.
A estratégia da Metha é seguir os passos da J&F e da Novonor (antiga Odebrecht) e questionar as condições nas quais a empresa assinou acordo de leniência com as autoridades. Em 2019, o grupo se comprometeu a pagar 1,92 bilhão de reais, parcelados até 2042. Também reconheceu ter participado de atos criminosos, apresentou provas de ilicitudes e se comprometeu a promover práticas contra a corrupção.
Na petição encaminhada a Toffoli, a Metha se diz vítima da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. Segundo a empresa, os métodos usados pelo grupo liderado pelo então procurador Deltan Dallagnol teriam forçado os executivos a assinar o acordo. A companhia diz que só assinou o documento para poder voltar a ser contratada e sobreviver.
Entretanto, diferentemente da Novonor e da J&F, a Metha não pediu a imediata suspensão dos pagamentos da multa. Essa manobra deve ficar para um segundo momento, depois que a companhia receber os dados, caso Toffoli decida compartilha-los.
A decisão da Metha também se confunde com a de Léo Pinheiro, ex-presidente da companhia. No começo de fevereiro, ele pediu a suspensão das obrigações que tem com a Justiça.
A leniência da Metha e o acordo de delação de Léo Pinheiro foram fundamentais para a manutenção da prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso porque o ex-executivo afirmou às autoridades que o petista receberia um triplex no Guarujá, no litoral paulista, como pagamento de um acordo para beneficiar a empreiteira, algo que Lula sempre negou.

