O doleiro e dono do Posto da Torre, em Brasília, Carlos Habib Chater, pediu ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, para ter acesso às mensagens obtidas pela Polícia Federal na operação Spoofing. A solicitação foi apresentada na noite desta terça-feira (11).

A operação Spoofing apura o suposto conluio entre membros da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) e o então juiz e hoje senador Sergio Moro. Policiais investigam mensagens obtidas pelo hacker Walter Delgatti, encontradas nas contas do Telegram, das pessoas envolvidas com a operação que desbaratou o esquema de corrupção na Petrobras.

Chater é um dos principais nomes do princípio da Lava Jato. Foi por causa de uma lavanderia de roupas anexa ao Posto da Torre que a operação recebeu o nome. No andar de cima da empresa funcionava uma casa de câmbio, usada para as operações financeiras para a obtenção e distribuição das propinas operadas, principalmente, pelo doleiro Alberto Youssef. O dono do posto foi a primeira pessoa presa na operação.

Na petição, a defesa de Chater não deixa claro o motivo de pedir o acesso às mensagens. O advogado diz apenas que, por ser parte das investigações, ele gostaria de também ver o conteúdo da Spoofing.

“Tendo demonstrado o interesse legítimo do Requerente em obter acesso ao material da Operação Spoofing, por ele sido investigado na Operação Lava Jato, requer que seja deferido o pedido de acesso ora formulado”, diz trecho do pedido.

Embora tenha sido condenado a mais de 21 anos de prisão, em vários processos, Chater está solto, depois de ter colaborado com os investigadores em Curitiba. O Posto da Torre mantém as atividades normalmente. Diferentemente da época da operação, em que o batismo se deu por causa de uma lavanderia de roupas, hoje também há o serviço de lavagem a jato de carros.