Marcos Tolentino já entendeu que sua situação frente às autoridades é a pior possível. E não é para menos. O advogado, ligado ao PP, de bobo não tem nada. Mas as recentes operações da PF por conta da sua relação com Precisa Medicamentos e FIB Bank o expuseram demais.

Tolentino anda acuado e deprimido com a possibilidade de ter de encarar a Justiça, segundo fontes ouvidas pelo Bastidor. Para tentar amenizar sua grave situação, ele está se organizando para buscar um acordo junto ao Ministério Público.

O advogado foi apontado pela CPI como sócio oculto da FIB Bank. Mesmo negando qualquer relação com a empresa, que apesar do nome não é um banco, um relatório do Coaf mostrou que ele recebeu quase R$ 2 milhões da companhia. Os pagamentos foram feitos via Space Air, pessoa jurídica que tem como sócios Tolentino e sua mãe, Valdete.

O FIB Bank foi incluído no caso Covaxin por causa de uma carta de fiança concedida à Precisa para permitir a assinatura do contrato com o Ministério da Saúde para fornecer a vacina indiana. Mas era tudo uma fraude. A começar que o “falso banco”, por não ser uma instituição financeira, é proibido de emitir tal garantia.

Também é relatado, na decisão que autorizou a operação realizada ontem pela PF contra a companhia de Max, que há “indícios de que os imóveis que garantiriam o patrimônio da FIB Bank não guardam relação com a empresa nem com suas sócias, ou seus representantes legais”.

Um desses imóveis, localizado no Paraná, vale R$ 7,2 bilhões. Já o outro, com valor de R$ 300 milhões, tem endereço de São Paulo. Porém, esses bens estão registrados junto a duas empresas: Pico do Juazeiro e MB Guassu.

Mas nenhuma delas pertence a Tolentino, que faz suas movimentações por uma terceira empresa, a B2T Prestação de Serviços, controladora da Pico do Juazeiro e administrada pelo advogado.

A B2T pertence a Ricardo Benetti, que assinou diversas procurações concedendo plenos poderes a Tolentino.

“Diante dos poderes conferidos a Tolentino, mediante a procuração outorgada pela B2T, não há dúvida que ele é o controlador de fato da Pico do Juazeiro, já que a B2T […] possui 99,99% das cotas da empresa”, afirmaram as autoridades à Justiça Federal para obterem mandados de busca e apreensão.

Sobre a MB Guassu, as autoridades destacaram que a empresa está cadastrada no mesmo prédio onde está instalado o escritório de advocacia de Tolentino (Tolentino Sociedade de Advogados). Ressaltam ainda que o telefone dos dois CNPJs é o mesmo.

Outro indício que conecta Tolentino e FIB Bank é o certificado digital usado pela companhia. Segundo as autoridades, “a empresa responsável pela certificação das assinaturas das cartas de fiança emitidas […] também possui conexões” com o advogado.

Esse emaranhado empresarial foi ponto focal da CPI da Pandemia, que descobriu um “ecossistema” de pessoas e empresas usadas num esquema para dissimular transações financeiras que, suspeitam as autoridades, tem agentes públicos como beneficiários. E essa teia liga Tolentino e Maximiano.

Outro ponto de conexão entre ambos é um apartamento em São Paulo. O dono da Precisa fez um boletim de ocorrência para garantir a entrada do advogado e de Wagner Potenza, diretor da FIB Bank, no imóvel. A medida foi tomada por seguidos calotes no aluguel.