O advogado Antônio Fabrício de Matos Gonçalves foi o escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a cadeira que estava vaga no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O futuro ministro é apadrinhado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A escolha por Gonçalves vem em um momento em que Lula e Pacheco têm se estranhado politicamente. Enquanto o presidente da República tenta produzir uma agenda mais austera, o presidente do Senado atua para aprovar, por exemplo, a PEC do Quinquênio, que pode gerar gastos extras de até 82 bilhões de reais nos próximos anos.

Com a decisão, Pacheco sai vitorioso em uma disputa direta também com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Um dos nomes que compunha a lista tríplice para a vaga era do advogado pessoal do alagoano, Adriano Costa Avelino. Ele tinha sido o mais votado entre os ministros do TST para a vaga.

Uma das vantagens de Gonçalves ante Avelino era o fato de que o advogado de Lira já tinha criticado publicamente Lula e o PT, enquanto o apadrinhado de Pacheco tinha apoio também de parte de aliados do presidente.

Outro ponto que demonstra a vitória pessoal de Pacheco é que Lula tinha na lista a advogada Roseline Rabelo de Jesus Morais. Sua nomeação poderia reduzir críticas de que o presidente reduziu o espaço feminino nas cortes superiores – em especial, no Supremo Tribunal Federal (STF). Diferentemente dos outros dois, ela não tinha nenhum apadrinhamento na liderança do Congresso.

Gonçalves terá que passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em data ainda a ser marcada pelo presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (PSD-AP), que também é próximo de Pacheco.