A Polícia Federal liberou apenas o que quis no caso do envolvimento de Jair Bolsonaro e seus aliados nas tentativas frustradas de golpe de Estado, de assassinar Lula e Geraldo Alckmin e de limitar os poderes de Alexandre de Moraes. A PF divulgou a lista com os 37 nomes que são alvo de pedido de indiciamento, mas não liberou o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal.
O que se sabe até agora são os nomes das pessoas e que elas são apontadas pela PF como participantes de um grupo criminoso que queria abolir violentamente o Estado brasileiro. Também se tem conhecimento de que a Polícia Federal concluiu apenas parte do relatório, pois há informações de que mais nomes serão incluídos.
O que não se sabe é quais são as provas e os indícios usados como base para pedir o indiciamento de Bolsonaro e outras 36 pessoas, incluindo os generais Walter Braga Netto, ex-candidato a vice na chapa bolsonarista de 2022, e Augusto Heleno, auxiliar de primeira hora do ex-presidente. Outros citados na lista da PF são Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
A justificativa da PF para limitar ao acesso às informações é o sigilo da investigação e o fato de a instituição não divulgar esse tipo de informações. Mas a divulgação parcial pode influenciar pedidos de nulidade pela defesa dos bolsonaristas envolvidos pela polícia na trama golpista.
Sem ter acesso aos elementos mínimos que fundamentam os indiciamentos, a imprensa não tem como avaliar a solidez das evidências.

