A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou nas alegações finais apresentadas ao Supremo Tribunal Federal na segunda-feira (14), que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, pode ter forjado a compra de uma passagem aérea às vésperas dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Quando os atos aconteceram, Torres era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. À época, ele alegou que estava em férias com a família nos Estados Unidos no dia 8 de janeiro de 2023 e que havia planejado a viagem com antecedência.

Para comprovar essa versão, a defesa de Torres apresentou à Justiça um print de uma tela em que constava a emissão do bilhete, assinalado como novembro de 2022. Contudo, em uma consulta à companhia aérea, a PGR descobriu que o localizador do bilhete não batia com o nome de Anderson Torres ou de alguém da família dele.

Outro ponto de divergência levantado pela PGR é sobre a informação de que Torres teria avisado Ibaneis sobre a viagem, dias depois de assumir o cargo no governo distrital. Segundo a PGR, ele só informou o governador da viagem no dia 7 de janeiro, véspera do vandalismo generalizado na Praça dos Três Poderes.

A PGR afirma que isso demonstra a existência de um plano organizado por Torres e outros assessores, para reduzir a articulação da segurança pública em Brasília e facilitar os atos golpistas em 8 de janeiro.

No relato da PGR, consta que Torres e assessores que o acompanharam do ministério da Justiça para a secretaria do Distrito Federal sabiam das movimentações de grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro naquele fim de semana e nada fizeram para impedir a ação.

O documento da PGR diz que foram enviados uma série de relatórios de inteligência para a Secretaria de Segurança Pública, mas não foram tomadas medidas preventivas.

O procurador-geral, Paulo Gonet, pediu a condenação de Torres e que a conduta dele frente à Secretaria seja investigada com mais profundidade.