Conselheiros disseram ao Bastidor que estranharam o fato de Salomão ter afastado, sozinho, quatro magistrados das funções. Afirmaram que foi explícita a estratégia do corregedor em forçar a análise do caso, hoje, no plenário do Conselho Nacional de Justiça.
A sessão do CNJ (assista aqui), nesta terça-feira (16), promete ser agitada. Será analisada a decisão de Luís Felipe Salomão, corregedor da magistratura, que afastou dois juízes e dois desembargadores da 4ª Região do judiciário federal.
Foram afastados Gabriela Hardt, juíza que substituiu Sergio Moro de 2018 até junho de 2023; o juiz Danilo Pereira Júnior, que assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba em janeiro deste ano; e os desembargadores Carlos Eduardo Thompson Flores Lens e Loraci Flores de Lima.
Na última vez que o assunto foi tema no colegiado do CNJ, em 20 de fevereiro, Salomão discutiu com Luís Roberto Barroso, presidente do CNJ. O ministro do Supremo Tribunal Federal é contra reviver acusações contra magistrados que atuaram na Lava Jato. Considera que apurações assim podem soar como caça às bruxas, além de incentivarem retaliações políticas.
Salomão quer um troféu para apresentar quando deixar a corregedoria do CNJ. Seu prazo é curto, termina em agosto deste ano. Sem a corregedoria – e sem a relatoria do pré-projeto do Código Civil, que será entregue amanhã (17) ao Senado -, o ministro volta à planície do Superior Tribunal de Justiça.
Se conseguir manter suas decisões, Salomão se valoriza e agrada aliados – alguns no STF, como Dias Toffoli. Há integrantes da corte que não esquecem a contribuição da Lava Jato para o descrédito da corte junto à opinião pública.
Se ganha de um lado, Salomão perde de outro. É fato que o corregedor do CNJ conseguiu irritar Barroso. Ontem (15), ao anunciar o julgamento do caso em plenário, o ministro do STF foi curto e grosso, automaticamente mudando de assunto para outros itens da pauta.

