Walter Braga Netto vai sair da cadeia para encarar Mauro Cid no Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes marcou para o dia 24 a acareação entre o general da reserva e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, após declarações contraditórias sobre a entrega de dinheiro para financiar parte do plano golpista de 2022.
Preso desde dezembro, Braga Netto será autorizado a deixar o Comando Militar do Leste com tornozeleira eletrônica. Deverá informar onde ficará hospedado e está proibido de se comunicar com qualquer pessoa, com exceção da sua defesa.
A acareação foi solicitada pela defesa de Braga Netto, após Cid afirmar que recebeu do general uma sacola com dinheiro, repassado por empresários do agronegócio. O general nega ter feito qualquer repasse; afirma que apenas orientou Cid a procurar o tesoureiro do PL. Os dois também deram versões opostas sobre uma reunião ocorrida em novembro de 2022, na casa de Braga Netto, com a presença de outros militares investigados.
No mesmo dia, também será feita a acareação entre Anderson Torres e o ex-comandante do Exército Freire Gomes, por divergências sobre encontros golpistas no fim de 2022.
O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido de anulação do acordo de delação de Mauro Cid, feito pelas defesas de Bolsonaro e Braga Netto. Considerou que a validade da colaboração deve ser discutida apenas na sentença final.
Outras diligências foram autorizadas. A Marinha deve informar em 48 horas a data da ordem de movimentação da Operação Formosa, requisitada em 2022 pelo então comandante, almirante Almir Garnier. Já o Google foi acionado para identificar o responsável por inserir na internet uma minuta que decretava Estado de Defesa, como solicitado por Torres.
Leia a íntegra da decisão:

