Luiz Fux conclamou hoje todo o Judiciário, e incluiu a PGR no pacote, a enfrentar Jair Bolsonaro. O presidente do STF aproveitou seu discurso para mandar o chefe da República trabalhar.
“O verdadeiro patriota não fecha os olhos para os problemas reais do país”, disse o ministro, citando as mais de 580 mil mortes pela pandemia e a inflação no Brasil. Ontem, Bolsonaro incentivou a desobediência civil, insuflou críticas ao Supremo, chamou Alexandre de Moraes de canalha e disse que as eleições são uma “farsa patrocinada” por Luís Roberto Barroso.
Fux afirmou claramente que Bolsonaro comete crime de responsabilidade ao avançar contra a independência do Judiciário e complementou que essa é uma prática “a ser analisada pelo Congresso Nacional”. Disse também que os 20 mil magistrados brasileiros continuarão trabalhando com independência.
O presidente do STF pediu ainda aos brasileiros que não caiam “na tentação das narrativas falsas e messiânicas”. Segundo ele, essas “praticas intoleráveis” apenas propagam “a política do caos” defendida pelos “falsos profetas do patriotismo” que sobrevivem ao incentivar o “nós contra eles”.
As forças de segurança – estaduais e federais – tiveram um capítulo específico na fala de Fux. Esses grupos são alguns dos lugares onde o bolsonarismo encontra mais terreno. Para o ministro, as manifestações do 7 de setembro foram realizadas em paz por causa do trabalho desses servidores.
Aras também pediu a palavra antes da sessão. Mas se limitou a pedir paz, diálogo e invocar Ulysses Guimarães ao dizer que não se pode afrontar a Constituição.

