O governador do Acre, Gladson Cameli, agora é réu, mas permanecerá no cargo até o fim do processo. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele foi aceita por unanimidade pela corte especial do Superior Tribunal de Justiça nesta quarta-feira (15).

Cameli é acusado de organização criminosa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação por desvios de mais de R$ 16 milhões dos cofres públicos. Seu afastamento do cargo foi negado pelos ministros sob o argumento de que os fatos investigados não são deste mandato, ocorreram em 2019.

Cameli foi pego na Operação Ptolomeu III. De acordo com a investigação, o governo do Acre contratou uma empresa chamada Murano via adesão à ata de registro de preços de Goiás, um sistema que dispensa concorrência pública. Porém, em Goiás a Murano fazia manutenção predial, enquanto no Acre faria obras viárias.

Após a contratação, a Murano firmou parceria com uma empresa de Gledson, irmão do governador. Em seguida, Gladson Cameli pagou a Murano e o dinheiro chegou à empresa do irmão. As provas apresentadas pelo MPF mostram que o governador comprou um apartamento de 5 milhões de reais em São Paulo e um veículo com o dinheiro desviado.  

Além do MPF, a Controladoria-Geral da União disse haver indícios de terceirização integral e subcontratação total no contrato, o que é proibido.