Nos últimos dias, o Brasil discutiu seu futuro em Lisboa, mais exatamente nos bastidores do Fórum Jurídico de Lisboa e nos restaurantes. Um dos temas favoritos foi a eleição que irá opor, além de Jair Bolsonaro e Lula, o atual presidente da República e o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Mas o conflito bastante conhecido pode ser amenizado pela atuação do ministro Ricardo Lewandowski.

Lewandowski será o vice-presidente do TSE na eleição. Fontes presentes no evento afirmaram ao Bastidor que ele deve ajudar no diálogo com Bolsonaro, que tem problemas com Moraes. O presidente fustiga Moraes devido ao inquérito que investiga o sistema de criação e dispersão de fake news, que atinge vários de seus apoiadores e a ele mesmo.

Em sua palestra no evento, Lewandowski negou qualquer risco de golpe. Disse ainda que o fato de o país estar “dividido politicamente” pode ser algo “próprio de uma democracia”, desde que se dê “dentro dos limites da civilidade”. Moraes, apesar de promoter rigor com as milícias digitais, destacou que ouvirá seu vice.

Lewandowski é tolerado na cúpula bolsonarista, apesar de ser associado ao PT e criticado por decisões contrárias ao governo durante a pandemia. Um sinal disso é que foi um dos fiadores da chegada de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal. O prestígio junto a Moraes vem da convivência acadêmica de ambos e dos anos de Supremo.