Desde que assumiu provisoriamente a PGR, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo tem feito jogo duro com o deputado bolsonarista Daniel Silveira. Em petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, ela pediu que o parlamentar continue sendo obrigado a usar tornozeleira eletrônica e seja proibido de viajar fora do eixo Rio de Janeiro-Brasília e de participar de eventos públicos.

A postura de Lindôra contrasta com a proximidade que ela tem com a família de Jair Bolsonaro. Considerada aliada do presidente, ela defendeu a condenação do deputado no julgamento dele e agora voltou a pedir a manutenção das medidas cautelares contra Silveira. Em ocasiões anteriores, ela já pediu o arquivamento de processos contra Bolsonaro e aliados dele.

Ao defender a manutenção das medidas cautelares, ela relembrou que a defesa de Daniel Silveira foi intimada por Moraes a prestar esclarecimentos sobre o descumprimento do uso da tornozeleira e da participação em eventos públicos. Em vez disso, o advogado “limitou-se a falar sobre a constitucionalidade do indulto”.

Para a vice-PGR, os processos abertos por partidos políticos, que questionam a validade do indulto, fazem com que o alcance das medidas determinadas na sentença, que sequer foi publicada, possa ser revisto. Sobre esse tema, ela disse que a PGR vai se manifestar apenas nas ações, que estão sob a relatoria da ministra Rosa Weber.

Problemas em tornozeleira

Ela ainda deu um puxão de orelha no secretário de Administração Penitenciária do Distrito Federal sobre os problemas alegados pela defesa de Daniel Silveira sobre tornozeleira que lhe foi imposta. Lindôra pediu que a pasta explique por que não realizou a troca do equipamento quando houve a comunicação dos defeitos.