Um cidadão italiano foi preso nesta terça-feira (13) pela Polícia Federal, no Rio Grande do Norte, suspeito de ser membro da Cosa Nostra, a máfia italiana. Segundo as investigações, o homem coordenava um esquema de lavagem de dinheiro no Brasil.

A operação, batizada como Arancía, apurou que a Cosa Nostra usava o mercado imobiliário brasileiro para legalizar o dinheiro obtido com as atividades criminosas que promove na Itália e em outros países. De acordo com a Polícia Federal, o esquema já teria investido cerca de 300 milhões de reais em imóveis no Brasil, equivalentes a 55 milhões de euros.

A investigação foi realizada em parceria com a Guardia di Finanza. No Brasil, além da prisão do mafioso, a Polícia Federal cumpriu outros cinco mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Piauí. Também houve cumprimento de mandados em regiões da Itália e da Suíça.

A Polícia Federal afirma que o esquema de lavagem usava empresas fantasmas, em nome de laranjas, para ocultar a origem do dinheiro aplicado nos imóveis. Embora os policiais locais tenham identificado a movimentação de 55 milhões de euros, o governo italiano estima que a fraude possa chegar a 500 milhões de euros, equivalentea a 3 bilhões de reais.

A Justiça Federal brasileira ainda determinou o confisco de imóveis e o bloqueio de contas bancárias das empresas e dos suspeitos de participar do esquema. Ainda não está claro se o mafioso preso será extraditado ou não, nem a quem competirá a eventual condenação, se ficará a cargo do Brasil ou da Itália.