As eleições no Conselho Federal da OAB estão marcadas para o dia 31 de janeiro, mas, como nos últimos anos, a nova diretoria já está definida. Com apenas uma chapa registrada, Beto Simonetti seguirá na presidência da entidade de 2025 até 2028.

A eleição da OAB nacional é indireta, realizada pelos 81 conselheiros federais, que representam os estados e o Distrito Federal. Esse modelo, que equipara a representação de grandes e pequenos estados, é frequentemente criticado por advogados de seccionais maiores, como Minas Gerais e São Paulo, por favorecer a concentração de poder na diretoria nacional.

A nova diretoria será composta por Beto Simonetti na presidência, Felipe Sarmento como vice-presidente, Roseline Rabelo de Jesus Morais na secretaria-geral, Christina Cordeiro dos Santos como secretária-geral adjunta e Délio Fortes Lins e Silva Júnior na tesouraria.

Desde 2021, o Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB determina paridade de gênero (50%) na composição das chapas e da diretoria. Apesar disso, nenhuma mulher assumiu os cargos de presidente, vice-presidente ou diretor-tesoureiro até hoje, exceto em casos interinos.

Simonetti integra o grupo político que comanda a entidade desde 2013, quando Marcus Vinícius Furtado Coêlho assumiu a presidência. A influência de MV, como é conhecido, é tanta que ele chegou a enviar aos conselheiros os nomes que deveriam ser votados nas listas sêxtuplas destinadas à advocacia no Judiciário.

A continuidade de Simonetti na presidência rompe uma tradição da Ordem, que, desde a redemocratização, alternava lideranças no comando nacional. Essa manutenção do núcleo político que governa a entidade gera críticas, especialmente entre advogados de estados maiores, que questionam a concentração de poder e a falta de renovação.

Neste ano, Simonetti quase teve um adversário. O advogado paraense Mário David Prado Sá chegou a apresentar uma candidatura avulsa, mas foi barrado pela falta de uma chapa completa e do apoio necessário, conforme exige o Estatuto da Ordem.