A Qualicorp, uma das principais operadoras de planos de saúde do Brasil, assinou nesta segunda-feira (17) um acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo os termos, a empresa pagará quase 44,5 milhões de reais, por ter se envolvido em atos de corrupção.
O valor é cerca de 1 milhão de reais mais alto do que a empresa havia anunciado em julho de 2024, quando as tratativas do acordo avançaram. Em nota, a CGU afirmou que avaliou e aprovou também um programa de integridade produzido pela Qualicorp, o qual inclui ações de compliance e atitudes anticorrupção.
Em outubro, os atuais acionistas da empresa aprovaram um outro acordo interno no qual o antigo sócio majoritário, José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, não seria alvo de nenhum processo no futuro para a cobrança de eventuais prejuízos da Qualicorp. Em troca, ele se comprometeu a pagar 50% do valor estipulado na leniência. Ele era o presidente da empresa à época dos crimes investigados e poderia ser penalizado pessoalmente por isso.
O acordo com Seripieri era parte fundamental para a assinatura dos termos junto à CGU e à AGU. O empresário, que está desligado da Qualicorp desde 2019, mantém laços políticos estreitos em vários partidos e até com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No dia 24 de fevereiro, ele foi o único empresário que participou de uma sessão privada do filme “Ainda Estou Aqui”, no Palácio da Alvorada, ao lado do petista e da primeira-dama. Atualmente, ele é dono da Amil.
Com o acordo junto aos órgãos públicos, a Qualicorp admitiu às autoridades que pagou propina a agentes públicos. Um dos beneficiários, segundo as investigações, foi o ex-senador e ex-governador de São Paulo, José Serra, do PSDB.
A investigação contra Serra gerou a operação Paralelo 23, um desdobramento da Lava Jato, em São Paulo. Segundo a Polícia Federal, Júnior Seripieri entregou 5 milhões de reais de forma irregular para a campanha do tucano ao Senado, em 2014. A operação foi deflagrada em 2020 e levou Júnior à cadeia. Serra nunca foi detido.
O outro caso foi investigado na operação Triuno, que apurou fraudes fiscais envolvendo o pagamento de propina a agentes da Receita Federal e da Receita Estadual de São Paulo. Dois funcionários públicos chegaram a ser presos. Eles eram suspeitos de receber propina para reduzir o crédito tributário de empresas ou antecipar o recebimento de ressarcimento de impostos.

