O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o trancamento da ação penal que corria contra o doleiro Chaaya Moghrabi. Ele foi alvo de duas operações relacionadas à investigação da Lava Jato, a operação Fatura Exposta e a Câmbio, Desligo. Segundo o magistrado, não há provas convincentes para prosseguir com a ação.

Segundo a decisão de Mendes, a denúncia contra Moghrabi, conhecido como Monza, foi embasada apenas em depoimentos de outros dois doleiros, Cláudio Barbosa e Vinícius Claret, dados sob acordos de delação premiada. Eles disseram ter movimentado cerca de 240 milhões de dólares que pertenciam ano doleiro.

Monza era conhecido pela dupla de delatores como um dos principais doleiros de São Paulo. De acordo com a denúncia, ele participou de um caso de corrupção e lavagem de dinheiro público desviado de um hospital no Rio de Janeiro. O esquema estava ligado a ações do ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

As transações de Moghrabi ficaram anotadas em um programa que a dupla usava para fazer a contabilidade de transferências de dinheiro, rotina de doleiros.

O ministro Gilmar Mendes, no entanto, desconsiderou essas provas. Disse que o fato de os dois delatores serem donos do programa de contabilidade fazia com que a prova perdesse a eficácia. Segundo ele, se houvesse outras provas, seria necessário que o Ministério Público Federal as apresentasse quando foi oferecida a denúncia. Sem isso, para Mendes, não é possível dar continuidade à persecução penal contra Monza.

Leia a íntegra da decisão: