O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao juiz Eduardo Fernando Appio que sejam colocados em sigilo os vídeos da audiência em que o advogado Rodrigo Tacla Duran fez acusações contra o senador Sergio Moro e o deputado federal Deltan Dallagnol. Segundo o procurador Walter José Mathias Júnior, que assina a peça, o magistrado ignorou pedido semelhante feito durante a audiência.

O procurador lembrou que a oitiva de Tacla Duran deveria ter sido apenas para repassar ao advogado as circunstâncias sobre a nova condição dele. Por ordem do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, o processo criminal em que o advogado é réu foi suspenso e, com isso, todas as medidas contra ele, inclusive um mandado de prisão preventiva, foram revogadas.

Em vez disso, Duran aproveitou a oportunidade para resgatar as denúncias de que teria sido alvo de extorsão por parte de Moro e Dallagnol, quando os agora parlamentares atuavam na operação Lava Jato, como juiz e procurador, respectivamente. Na audiência, o advogado apresentou um trecho de um áudio, que comprovaria a acusação, mas na prática não foi possível entender quase nada.

O MPF também reclamou da decisão de Appio de promover Duran de réu ao posto de testemunha protegida pela Justiça. Mathias Júnior afirma que a procuradoria deveria ter sido ouvida antes dessa decisão.

A denúncia de Duran sobre Moro e Dallagnol é antiga e chegou a ser investigada pelo MPF, mas acabou arquivada em 2020, por falta de provas. O senador e o deputado rechaçam e dizem que são inocentes.

Ao final da audiência, Appio entendeu que não teria competência para analisar a denúncia, dado o foro privilegiado de Moro e Deltan e decidiu encaminhar o caso para o STF. A defesa do senador, por sua vez, ingressou com um pedido para que o caso seja mantido em Curitiba.

Leia abaixo a íntegra da manifestação do MPF: