O presidente da Câmara, Arthur Lira, pediu à Corregedoria-Geral Eleitoral que proíba o juiz eleitoral Maurício Cesar Breda Filho de julgar quaisquer ações nesta eleição por ser próximo ao governador afastado de Alagoas, Paulo Dantas. É um novo lance da disputa eleitoral no estado, entre Lira e o senador Renan Calheiros.
A briga se nacionalizou depois da operação da Polícia Federal contra o governador, que é candidato à reeleição e apadrinhado de Renan. Ele foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça.
Renan culpou Lira pela investigação: disse que ele opera a Superintendência da PF em Alagoas por sua proximidade com o presidente Jair Bolsonaro e quer fazer da unidade sua Gestapo (a polícia política de Adolf Hitler na Alemanha das décadas de 1930-40).
Lira disse que nada teve a ver com a operação e acusou Renan. No entanto, fez o pedido à corregedoria. No pedido apresentado ao corregedor-geral, Benedito Gonçalves, ele acusa Breda de parcialidade, diz que o juiz eleitoral foi nomeado presidente do conselho estadual de Segurança Pública de Alagoas por Dantas – o órgão é ligado ao gabinete do governador.
Lira enumera também ações em que Breda decidiu contra interesses seus. Em algumas delas, Breda proibiu o uso de imagens do pai de Paulo Dantas, com críticas ao governador afastado, pela campanha de Rodrigo Cunha, candidato apoiado por Lira. São listados ainda casos em que o juiz eleitoral decidiu rapidamente a favor do grupo de Renan Calheiros ou além do que havia sido pedido.
Bendito Gonçalves acatou a solicitação, mas ressaltou não haver qualquer definição de mérito apenas pela abertura da investigação. “Deve-se destacar que a amostra de processos é pequena e foi selecionada pelo reclamante, sendo possível cogitar que não represente todo o cenário”, ponderou o corregedor-geral eleitoral.
Leia o despacho proferido na quinta-feira (13) por Benedito Gonçalves, corregedor-geral da Justiça Eleitoral:

