Autoridades brasileiras resgataram 163 operários chineses que trabalhavam em condições análogas à escravidão na construção da fábrica da BYD em Camaçari (BA). A montadora chinesa iniciou as obras após assumir a planta deixada pela Ford na cidade. Os trabalhadores terceirizados foram contratados pelo Jinjiang Group.

O resgate foi feito conjuntamente pelos ministérios públicos Federal e do Trabalho, pela Defensoria Pública da União e pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal. As informações são da Folha de S.Paulo.

Segundo as autoridades, os trabalhadores dormiam amontoados em pequenos alojamentos, sem direito a colchão ou condições de higiene, e cumpriam jornadas extremamente longas, iniciadas às 5h30. As condições impostas pela terceirizada da BYD, como oferecer apenas um banheiro para mais de 30 pessoas, eram restritas aos funcionários da obra, que tinham que acordar às 4h, para poderem tomar banho e lavar as roupas.

Os trabalhadores de setores administrativos tiveram sua dignidade respeitada, tanto que o grupo foi o único a não ser resgatado após a interdição da obra. Em novembro, reportagem da Agência Pública mostrou que essas pessoas eram obrigadas a trabalhar 12 horas por dia, sem direito ‘a folga semanal e equipamentos de proteção.

A BYD divulgou nota lamentando o fato que a envolve, assim como o Jinjiang Group. A montadora chinesa de veículos não negou as irregularidades encontradas e limitou-se a dizer que “reitera seu compromisso com a cumprimento integral da legislação brasileira”.