O juiz Thales Braga mandou devolver ao Ministério Público do Rio de Janeiro a investigação de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro. Ele viu inconsistências na denúncia apresentada pelo promotor Alexandre Graça, que acusou sete pessoas de operar o esquema, mas deixou Carlos de fora.

Na quinta-feira (12), o promotor Alexandre Graça denunciou sete pessoas, entre funcionários e ex-funcionários da Câmara Municipal do Rio, por desviar cerca de 1,7 milhão de reais dos salários dos assessores para o chefe do gabinete, Jorge Luiz Fernandes. Mas o promotor decidiu não incluir Carlos, chefe de todos, por considerar que não havia provas contra ele.

Em sua decisão, entre outras discordâncias, o juiz aponta que o promotor não fez diligências recomendadas pelo setor de inteligência do Ministério Público. Deixou, por exemplo, de investigar o pagamento de boletos de Carlos com dinheiro do gabinete.

Braga considerou contraditório também o promotor ter dito que Carlos não cometeu crime ao manter funcionários fantasmas no gabinete e, ao mesmo tempo, apontar improbidade administrativa no caso.

“Com a alteração da Lei de Improbidade Administrativa, deixou de existir o ato de improbidade culposo. Nessa linha de raciocínio, o promotor teria afirmado que há indícios de dolo (consciência e vontade) do parlamentar em permitir a existência de ‘funcionários fantasmas’ em seu gabinete sem que tenha recebido qualquer vantagem”, disse Braga.