O fim do sigilo do processo em que o ministro Dias Toffoli concedeu a suspensão da multa de 10,3 bilhões de reais revelou que nenhuma das entidades que seriam beneficiadas diretamente com o acordo de leniência recorreu da decisão até o momento.
Conforme o acordo, firmado com o Ministério Público Federal, os fundos de pensão Funcef e Petros, que cuidam das aposentadorias dos funcionários da Caixa e da Petrobras, respectivamente, deveriam receber 1,75 bilhão de reais cada. No acordo, a J&F reconheceu ter atuado para provocar prejuízos às duas entidades.
Outro beneficiário do acordo é a Caixa Econômica Federal. O banco tem 1 bilhão de reais a receber da J&F, sendo que a metade desse valor pertence ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A outra metade é de prejuízos causados diretamente ao banco.
As três entidades foram procuradas pelo Bastidor para comentar a atuação diante da decisão de Toffoli. Apenas a Caixa respondeu, afirmando que não comenta processos em andamento. O Funcef, que em dezembro disse que queria respeito ao acordo, ficou em silêncio desta vez.
Embora os fundos sejam privados e de propriedade dos funcionários, a direção deles é indicada sempre pela empresa mantenedora, com a participação direta do Palácio do Planalto. É assim em todos os governos.
Atualmente, a Petros é presidida por Henrique Jäger, economista filiado ao PT e ex-assessor do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. Já o Funcef é comandado por Ricardo Pontes. Funcionário de carreira do banco, chegou ao posto com o apoio do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, de quem é próximo.
A Caixa, recentemente, passou por uma ampla mudança na diretoria. Com a saída de Rita Serrano, o banco é dirigido por Carlos Antônio Vieira, indicado pelo Centrão, com o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

