A investigação da Polícia Federal que resultou na operação Hinsberg não descarta a possibilidade de o influencer digital Renato Cariani ter forjado as trocas de e-mails com uma pessoa identificada como funcionário da multinacional AstraZeneca.

A conversa se deu entre Cariani e Sergio Guerra, suposto gerente de compras da AstraZeneca. A PF trabalha com a hipótese de Guerra ser, na verdade, Fabio Spinola, também investigado na operação e amigo de Cariani há anos. Spinola já foi preso em outras operações.

Em diálogos a que o Bastidor teve acesso são negociadas compra e venda de 50 quilos de cloridrato de lidocaína e 500 quilos de cloridrato de fenacetina. As mensagens constam em um inquérito da Polícia Civil de São Paulo e em uma ação que correu no Tribunal de Justiça do estado, que foi arquivada. Cariani aparece na troca de e-mails como um dos sócios da Anidrol Indústria Química.

Antes da operação da PF, o influencer depôs às autoridades paulistas e apresentou documentos supostamente fornecidos pela pessoa que se identificava como funcionário da AstraZeneca. Há um cartão de visita e assinaturas digitais em nome de Sergio Guerra.

A investigação começou após a Astrazeneca receber notificações da própria PF sobre possíveis infrações administrativas. A empresa informou que nunca teve relação comercial com a Anidrol. Também esclareceu que pagamentos em espécie não são usuais.

A PF fala em “emissão fraudulenta usando laranjas para depósitos em espécie, como se fossem funcionários de grandes multinacionais, vítimas que figuraram como compradoras”. Segundo a corporação, foram identificadas 60 transações financeiras dissimuladas que resultaram em compras de 12 toneladas de produtos químicos que seriam usados para fabricação de 19 toneladas de cocaína e crack.