O empresário Marco Antônio Puerta, que acusa a XP Investimentos de coagir seu próprio filho – que trabalhava na corretora – a pressioná-lo para contratar um empréstimo considerado de risco, anexou ao processo novas mensagens de Whatsapp que mostram o descumprimento de regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pela empresa.
A defesa de Puerta afirma que a XP descumpriu regras de suitability, que determinam como as instituições financeiras devem analisar o perfil de um investidor para identificar os produtos financeiros mais adequados a ele.
Os prints mostram que o perfil de Marco Antônio Puerta foi alterado à sua revelia. A mudança de “moderado” para “agressivo” foi feita por seu filho, Gabriel Puerta – então funcionário da XP – após uma conversa com seu chefe, o assessor de investimentos Leonardo Augusto Chitero Spelta.
O objetivo da mudança era fazer o empresário aplicar 15 milhões de reais em um investimento chamado Certificados de Operações Estruturadas, conhecido como COE, e pegar um empréstimo no mesmo valor na XP.
O caso do empresário foi revelado em agosto pelo Bastidor. Marco Antonio alega que não foi alertado dos riscos do investimento e teve prejuízos financeiros com o empréstimo. Seu filho, que almejava uma promoção, foi demitido após a transação ser concluída.
Em uma das conversas anexadas no processo, Leonardo Spelta pergunta a Gabriel se o perfil de Marco Antonio já estava atualizado. A defesa do empresário diz “que houve utilização ilícita e indevida das credenciais de acesso de Marco ao sistema da XP, com o objetivo de forjar uma suposta adequação de perfil que não correspondia à realidade do autor, para viabilizar a tal operação questionada”.

Em tese, o perfil de Marco Antonio – então classificado como moderado pela própria XP – não permitiria a aplicação em COE. A mudança possibilitou o investimento.
De acordo com a CVM, qualquer recomendação de investimento realizada a um cliente sem a adequada identificação do seu perfil pode ser caracterizada como irregularidade. O órgão diz ainda que o intermediário não pode induzir o cliente a erro, recomendando ofertas de investimento com pouca ou má qualidade de informação com relação aos riscos envolvidos, mesmo com a autorização formal do investidor.
No processo, a XP diz que ela própria foi vítima de um golpe. Argumenta que foi ludibriada por Gabriel Puerta, seu ex-funcionário, que se beneficiou de um bônus indevido.
Os advogados da corretora afirmam que pai e filho atuaram juntos para que Gabriel ganhasse “elevados bônus de performance”. Na versão da XP, a operação consistiu em tirar 15 milhões de reais que Antonio Puerta investiu em um fundo da XP e levar para o Banco Safra.
Na sequência, os mesmos 15 milhões seriam transferidos de volta à XP, tendo Gabriel Puerta como assessor financeiro. Assim, ele teria direito ao bônus.
A Justiça de São Paulo havia impedido a XP de cobrar os juros do empréstimo. Uma nova decisão determinou que Marco Antonio depositasse os valores em juízo. Há algumas semanas, o empresário conseguiu que a Justiça aceite, em vez do depósito, apenas um seguro garantia.

