Depois de cinco meses de trabalho, a CPI da Pandemia entra em seus últimos dias ouvindo Raimundo Nonato Brasil, o número dois do VTCLog, e Paulo Rebello Filho, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Nesta segunda-feira, 4 de outubro, senadores da comissão ainda vão discutir o possível depoimento dos ministros Paulo Guedes (Economia) ou Marcelo Queiroga (Saúde). Se houver consenso, o depoimento de um dos dois ministros pode ocorrer na sexta-feira, 8.
Nem todos os senadores do grupo majoritário, formado por independentes e de parlamentares de oposição, estão convencidos, contudo, de que ter os ministros na CPI vai acrescentar informações ao relatório.
Raimundo Nonato Brasil terá de responder sobre suspeitas de irregularidades em contratos da empresa com o Ministério da Saúde. Em setembro, o Tribunal de Constas da União suspendeu um aditivo assinado pelo ex-diretor de Logística Roberto Ferreira Dias com prejuízo, seguindo o TCU, de 17 milhões de reais.
A CPI teve acesso a documentos que demonstram que um motoboy movimentou 5 milhões de reais para a empresa e realizou pagamentos de boletos em nome de Dias.
O Bastidor mostrou a rede de proteção em torno do nome do empresário Carlos Alberto de Sá, o Carlinhos, dono da VTCLog, além de sua ligação política com lideranças do PP e de membros da CPI.
Na quarta-feira, 6, será a vez do depoimento de Paulo Rebello Filho, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ele será questionado sobre medidas tomadas para coibir e responsabilizar irregularidades praticadas pela operadora de plano de saúde Prevent Senior ao longo da pandemia.
De acordo com médicos que travalhavam na empresa, a Prevent Senior indicou sistematicamente o uso de medicamentos sem eficácia para a Covid-19, como cloroquina e azitromicina, e ocultado mortes de pacientes em um estudo para testar os remédios.

